Teses e trabalhos académicos

Como fazer uma introdução: trabalho, ensaio, texto de opinião e relatório

Equipa Editorial do AdeptWriteAtualizado 8 min de leitura

Uma boa introdução faz três coisas por esta ordem: situa o tema, delimita o assunto ou o problema e anuncia a tese ou a organização do texto. Em Portugal, serve o trabalho de grupo, o texto de opinião e o relatório universitário, com extensões diferentes. Escreva-a no fim, quando já sabe o que o texto defende, e confirme sempre as regras do professor.

Resposta curta

Uma introdução apresenta o tema, diz qual é o problema ou a ideia que o texto vai tratar e anuncia como o vai fazer. Em três passos: 1) contexto (porque é que o tema importa); 2) foco (o que, exatamente, vai ser discutido); 3) tese e plano (o que defende e por que ordem).

Na escola portuguesa aprende-se a estrutura introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução é a porta de entrada: o leitor, ou o professor que corrige, decide aqui se o texto tem rumo. Costuma ocupar entre 5 % e 10 % do texto, mas isto é uma regra prática e não uma norma oficial. Num texto de 500 palavras são quatro ou cinco linhas; num relatório de vinte páginas, uma página.

Os três passos de uma introdução

1. Contexto: porque é que o tema interessa

Comece pelo que o leitor já sabe ou sente. Uma ou duas frases chegam. Evite as aberturas gastas que servem para qualquer assunto («Desde sempre, o Homem…», «Nos dias de hoje…»), porque dizem ao professor que o aluno ainda não sabe o que vai escrever.

2. Foco: o que vai ser tratado, e o que fica de fora

Afunile. Um tema como «incêndios florestais» é demasiado vasto; «o papel da limpeza dos terrenos junto às casas na prevenção dos incêndios florestais em Portugal» já se pode trabalhar em cinco páginas. Diga também o que não vai tratar: isso protege-o de críticas do género «falta falar de…».

3. Tese e plano

Num texto de opinião ou de argumentação, a tese é a posição que vai defender, numa frase. Num relatório, no lugar da tese entram os objetivos. Termine com o plano: «Em primeiro lugar…, em seguida…, por fim…». Em trabalhos mais longos, o plano diz o que cada capítulo faz.

Seis formas de abrir (e quando usar cada uma)

AberturaQuando funcionaCuidado
PerguntaEnsaio ou texto de opiniãoTem de ser uma pergunta a que o texto responde
Contraste ou afirmação provocadoraOpinião e crónicaNão exagere nem generalize
Exemplo concreto ou cena curtaTrabalho sobre um caso (uma cidade, uma empresa)O exemplo tem de ligar à tese
DefiniçãoRelatório e trabalho académicoUse um dicionário (por exemplo, o Priberam) e não só «segundo o Google»
Dado contextualTexto expositivoSó com fonte; nunca invente um número
CitaçãoTrabalho de Português ou FilosofiaCurta, identificada e comentada

Num trabalho escolar, as aberturas mais seguras são a pergunta, o exemplo e a definição. A citação só vale se for comentada: «cola» uma frase de um autor e não diz porquê.

Da introdução fraca à introdução forte

Exemplo 1: incêndios florestais (texto de opinião)

Fraca: «Os incêndios florestais são um problema muito grave em Portugal. Há muitos incêndios todos os anos e é preciso fazer alguma coisa. Neste texto vou falar sobre os incêndios.»

Porque falha: abre com um lugar-comum, não delimita o assunto, não tem posição e anuncia o óbvio.

Forte: «Todos os verões, o país volta a olhar para o interior com receio. Mas será que o problema dos incêndios florestais se resolve apenas com mais meios de combate? Defendo que a prevenção, em particular a gestão do mato junto às aldeias, deve vir antes do reforço do combate. Para o mostrar, começo por explicar como o fogo se espalha, depois discuto o papel dos proprietários e, por fim, o das autarquias.»

Porque funciona: abre com uma imagem, formula o problema, assume uma tese e dá o plano.

Exemplo 2: turismo em Lisboa (trabalho de grupo)

Fraca: «O nosso trabalho é sobre o turismo em Lisboa. Lisboa é uma cidade muito bonita e tem muitos turistas. Vamos falar das vantagens e das desvantagens.»

Forte: «Quem sobe hoje a rua de Santa Catarina ou passeia pela Alfama encontra, lado a lado, moradores e visitantes. Este trabalho analisa o efeito do alojamento local na vida dos bairros históricos de Lisboa. Na primeira parte, definimos os conceitos de turismo urbano e de alojamento local; na segunda, comparamos os argumentos dos moradores e dos operadores; na terceira, discutimos medidas que a câmara municipal pode tomar.»

Repare que a versão forte indica o recorte («bairros históricos», «alojamento local»), o objetivo («analisa») e a divisão do trabalho. Num trabalho de grupo, mostra ao professor que a equipa combinou o que cada parte faz.

Exemplo 3: Erasmus (ensaio pessoal ou reflexão)

Fraca: «Fiz Erasmus e foi uma experiência incrível. Aprendi muito e conheci pessoas novas.»

Forte: «Cheguei a Cracóvia em fevereiro, com duas malas e um inglês que me pareceu de repente insuficiente. Este texto reflete sobre aquilo que um semestre de Erasmus me ensinou sobre autonomia, e defende que a maior aprendizagem não aconteceu nas aulas, mas na gestão do dia a dia. Começo pelas dificuldades da chegada e termino com o que mudou no meu modo de estudar.»

Tenha cuidado com «incrível», «fantástico» e «muito»: são adjetivos que nada provam. Troque-os por um facto concreto, que o leitor possa ver.

Introdução em cada tipo de texto

Trabalho escolar de grupo ou individual

Basta um parágrafo: tema, objetivo, plano. Confirme com o professor se pede capa, índice e bibliografia, e como quer a introdução (por vezes em «Introdução», outras vezes apenas num primeiro parágrafo).

Texto de opinião ou texto expositivo-argumentativo (exames e testes)

Nos testes e exames de Português, as instruções de cada prova indicam o género, a extensão e os critérios. Confirme-as na prova e nos documentos do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), porque podem mudar de ano para ano. Em regra, a introdução apresenta o tema, formula a tese e anuncia os argumentos, numa extensão curta, para deixar espaço ao desenvolvimento.

Relatório universitário e dissertação

A introdução é mais longa e formal e costuma incluir: enquadramento, problema ou pergunta de investigação, objetivos, justificação (relevância do tema) e estrutura do documento. Use a terceira pessoa ou a primeira do plural, consoante as normas do curso, e a norma de citação indicada pelo orientador (muitas universidades portuguesas pedem a NP 405 ou o APA). Uma regra útil: escreva a introdução no fim, quando já sabe o que o texto prova.

Relatório de estágio ou de trabalho

Comece pela organização de acolhimento (nome, setor, duração do estágio), diga qual era o objetivo do estágio e anuncie as secções. Aqui o contexto é um facto verificável, por isso confira nomes e datas.

Conectores que ajudam a introdução

  • Para situar: «No contexto de…», «Numa altura em que…», «A propósito de…».
  • Para delimitar: «Este trabalho centra-se em…», «Não se pretende abordar…».
  • Para anunciar a tese: «Defende-se que…», «Procura-se mostrar que…», «O principal argumento é…».
  • Para apresentar o plano: «Em primeiro lugar…», «De seguida…», «Por fim…», «O capítulo 2 descreve…».

Prefira a forma impessoal ou a primeira pessoa do singular conforme o género: num texto de opinião, «Defendo que» é natural; num relatório, «Defende-se que» ou «Pretende-se» são mais frequentes.

Lista de verificação antes de entregar

  • A primeira frase diz algo concreto (não «Desde sempre…»).
  • O tema está delimitado em tempo, lugar ou aspeto.
  • Há uma tese, um objetivo ou uma pergunta clara.
  • O plano corresponde ao que o texto realmente faz, pela mesma ordem.
  • Não tem factos sem fonte nem números inventados.
  • Não repete o título nem adianta toda a conclusão.
  • A extensão é proporcional ao texto.
  • A grafia segue o Acordo Ortográfico de 1990 e o vocabulário de Portugal (facto, contacto, equipa).

Erros frequentes

  1. Começar pelo princípio dos tempos. Comece pelo tema.
  2. Anunciar em vez de dizer («Neste trabalho vou falar de…» sem nada mais). Diga o que defende.
  3. Introdução maior que o necessário, que gasta o que devia ficar para o desenvolvimento.
  4. Prometer o que o texto não faz. Se anuncia uma comparação, tem de a fazer.
  5. Misturar registos. «Tipo, o turismo é fixe» não cabe num trabalho; «o turismo constitui um fenómeno complexo» pode soar a vazio. Procure o meio-termo claro.
  6. Esquecer de rever no fim, depois de ter mudado o rumo do texto.

Como usar as ferramentas da AdeptWrite

O Gerador de parágrafos tem um modo Introdução: escreva a ideia principal e dois ou três pormenores e obtém um parágrafo de rascunho (até 6000 caracteres por execução). Trate o resultado como ponto de partida: confirme os factos, junte as fontes e reescreva nas suas palavras. Para planear as secções, o Gerador de estrutura de texto cria uma estrutura de artigo, ensaio, dissertação ou apresentação a partir de um tema. Quando a frase de abertura ficar pesada, use o Reescrever frases, e no fim verifique a grafia com o Corretor ortográfico (AO90) e a gramática com o Corretor gramatical.

Estas ferramentas não substituem a sua leitura nem as regras da escola ou da universidade. Se a instituição proíbe o uso de ferramentas de escrita assistida, siga essa regra. Para evitar problemas, leia também o guia O que é plágio e o de como fazer um resumo.

Modelo para preencher

«[Abertura: pergunta, exemplo ou contexto breve]. [Delimitação: o aspeto exato que vai tratar]. Este texto defende que [tese] / tem como objetivo [objetivo]. Para isso, [plano em duas ou três partes].»

Preencha com as suas palavras e depois leia em voz alta: se tropeçar numa frase, o leitor também tropeçará.

Experimente as ferramentas

Gerador de parágrafos
Um parágrafo de introdução, desenvolvimento ou conclusão — ou descritivo, expositivo, narrativo, argumentativo ou persuasivo — a partir da sua ideia principal.
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Gerador de estrutura de texto
Crie a estrutura de um artigo, ensaio, dissertação ou apresentação a partir de um só tema.
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Reescrever frases
Melhore frases rígidas, confusas ou demasiado longas.
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Corretor ortográfico (AO90)
Encontre palavras fora do dicionário pt_PT (Natura), grafias anteriores ao Acordo Ortográfico e formas do Brasil, no seu navegador.
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Perguntas frequentes

Quantas linhas deve ter uma introdução?

Depende do texto. Como orientação, cerca de 5 % a 10 % do total: quatro ou cinco linhas num texto curto e uma página num relatório longo. Não é uma regra oficial, por isso siga sempre as instruções do professor, da prova ou do regulamento do curso.

Escrevo a introdução primeiro ou no fim?

Pode fazer um rascunho no início para orientar o trabalho, mas só no fim sabe ao certo o que o texto defende. Reveja a introdução depois de escrever o desenvolvimento e a conclusão, para que o plano anunciado corresponda ao que realmente fez.

Posso usar uma citação para abrir a introdução?

Pode, desde que seja curta, identifique o autor e se ligue à tese. Uma citação solta, sem comentário, não ajuda. Cite a fonte corretamente segundo a norma que lhe pedem, como a NP 405 ou o APA, e explique porque escolheu essa frase.

Qual é a diferença entre introdução e resumo?

A introdução prepara o leitor: tema, problema, objetivo e plano. O resumo (ou abstract) condensa o texto inteiro, incluindo resultados e conclusões. Num relatório ou numa dissertação existem os dois; no trabalho escolar costuma bastar a introdução.

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